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Maestro da inovação
José Eduardo Querido é o primeiro brasileiro a presidir a Singer do Brasil, a segunda maior operação comercial do grupo centenário
O livro que acompanha José Eduardo Querido atualmente é O decolar de um sonho, de Osíris Silva, em que o autor conta sua vida e carreira e a trajetória de ascensão da Embraer. Algumas semelhanças entre os dois não passam despercebidas, a começar pelas estratégias de crescimento das empresas baseadas na inovação e o estilo de liderança. Mas, acima de tudo, são exemplos para seus compatriotas. Eduardo é o primeiro brasileiro a presidir a Singer do Brasil, a segunda maior operação comercial do grupo no mundo. “Além da responsabilidade corporativa, tenho o dever, como brasileiro, de não falhar. Mais do que um reconhecimento pessoal, a nomeação é um reconhecimento da competência dos brasileiros, e que não é necessário importar talentos”.
Competência que, no caso de Eduardo, deve-se a sua entrega total a tudo o que se compromete a fazer. Nos negócios, ele procura sempre desenvolver e oferecer melhores produtos, com roupagem mais atraente e a um custo menor e com a mesma confiabilidade técnica. Isso exige investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e constantes análises de valor, novos materiais e novas alternativas de manufatura (outras localidades e até mesmo métodos). “A vida do consumidor depende muito do desenvolvimento de melhores produtos, do atendimento de demandas específicas”. E atender diretamente as necessidades do consumidor final é o que Eduardo mais gosta no seu trabalho. Se alguém não o encontrar em sua sala, pode procurar direto no departamento de engenharia de produtos, onde ele participa com idéias e acompanha o serviço de colegas.
O crescimento da participação no mercado permite à empresa dar um retorno maior aos seus colaboradores, ajudando a mantê-los motivados – condição essencial para o sucesso da estratégia da empresa. O estilo funcional de liderar e administrar de Eduardo reforça o estrategismo. “Sou exigente, mas próximo às equipes e informal no relacionamento”. Com isso, o ambiente se torna propício à geração de novas idéias e as pessoas se sentem seguras para expô-las. É justamente essa estrutura dinâmica e a proximidade com o consumidor final que retém Eduardo na Singer há quase 20 anos. “A agilidade operacional da empresa gera muitas oportunidades de trabalho e crescimento”.
Depois de 10 anos atuando como engenheiro na Clark, atual Eaton, em Valinhos (SP), Eduardo foi admitido como gerente de engenharia na Singer. Entre outros cargos e funções desempenhadas nos anos seguintes, ele foi encarregado da montagem da manufatura da Singer Xangai, na China, onde morou de 1993 a 1997, e da montagem da fábrica em Juazeiro do Norte (CE), em 1997, quando retornou ao Brasil para dirigir a área industrial do grupo no país. “Sou um empreendedor, não nos moldes tradicionais, sou o que se chama de intra-empreendedor”. Neste ano, em que ele assume a presidência, a reforma que duplicou a unidade nordestina foi concluída (as atividades fabris do grupo foram concentradas no local) e fixaram a meta de aumentar a produção em 50%. “É muito prazeroso ver idéias e métodos concretizados, desafios superados. Ver a fábrica de Xangai em funcionamento e novos produtos com sucesso no mercado traz uma sensação de realização e me motiva a continuar a empreender”.
As exigências da posição tomam o dia todo de Eduardo. No pouco tempo que lhe sobra, procura se informar em jornais e revistas e lê descompromissadamente livros como “O monge e o executivo”, de James Hunter. No trânsito, prefere ouvir música erudita e sacra para relaxar. Mas o que ele mais gosta é de viajar, tanto no Brasil quanto no exterior.
Segundo ele, tudo o que as pessoas fazem entra para um banco de dados pessoal, base que depois ajuda a tomar decisões, das mais corriqueiras às mais importantes, tanto pessoais quanto corporativas. Por isso aconselha explorar ao máximo as coisas novas a que se tem contato. “É preciso estar sempre atento às janelas de oportunidade que se abrem e pronto para aproveitá-las, pois elas permanecem disponíveis por pouco tempo”.
A era das máquinas de costura
“Fui para o lado soviético com meus tios e três filhos deles... Um polonês levava a gente por uns caminhos complicados, para não cair nas mãos da guarda fronteiriça... Minha tia carregava uma cabeça de uma máquina de costura Singer, pesada.” O relato de D. Rosa, judia polonesa que fugiu da perseguição nazista no início da década de 40 (extraído do livro Memórias de vida, memórias de guerra, de Fernando Frochtengarten), demonstra a importância da máquina de costura para as mulheres, que podiam realizar suas tarefas de forma mais produtiva: o equipamento reduzia os custos e o tempo aplicado na confecção de roupas, fonte de renda essencial à sobrevivência de muitas famílias.
A idéia de costurar através de uma máquina surgiu em 1760 e passou muito tempo despercebida. Em 1850, o mecânico Isaac Merrit Singer conheceu, na oficina de Orson Phelps, uma máquina de costura. Ao analisar cuidadosamente o seu funcionamento, sugeriu modificações que revolucionaram sua fabricação e, em 11 dias, estava pronta a primeira máquina de costura de alta eficiência. Isaac solicitou uma patente em 1851 e continuou a melhorar sua máquina até sua morte, em 1875, aos 63 anos. No século passado, cerca de 46 mil patentes de máquinas de costura de várias espécies foram emitidas.
Em 1851, foi fundada a Singer. Inicialmente foram enfrentados sérios problemas para introduzir o produto, pois o público não acreditava que a máquina funcionava corretamente. Mas, aos poucos, foi ganhando credibilidade, e, para facilitar a compra, a Singer introduziu o sistema de vendas a prazo. A empresa cresceu no mercado mundial e o nome Singer se firmou como sinônimo de máquina de costura. No Brasil, o primeiro ponto-de-venda das máquinas foi aberto no Rio de Janeiro, em 1858. Hoje, The Singer Company, a maior empresa na indústria de máquinas de costura, presente em mais de 150 países, produz cerca de 250 modelos diferentes e emprega diretamente quase 10 mil pessoas.
Linha do tempo
1851 - Isaac Merrit Singer funda a Singer.
1955 - Inauguração da primeira fábrica de máquinas de costura da América Latina, em Campinas (SP). José Eduardo Querido nasce em São José dos Campos (SP).
1972 - Querido forma-se na Escola Técnica Everardo Passos (Etep), de São José dos Campos.
1978 - Graduação em Engenharia Mecânica pela USP de São Carlos. Admissão no primeiro emprego – Clark, atual Eaton, em Valinhos (SP), empresa onde já trabalhava como estagiário desde o ano anterior.
1988 - Admissão na Singer como gerente de engenharia.
1990 - Promovido a gerente de fábrica – 2,7 mil pessoas sob seu comando.
1993 - Encarregado da montagem da manufatura da Singer Xangai, na China.
1997 - Promovido a diretor industrial da Singer Brasil. Encarregado da montagem e inauguração da fábrica da Singer no Nordeste.
2006 - Promovido a presidente da Singer do Brasil. Duplicação da fábrica no Nordeste.
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